quarta-feira, 6 de maio de 2015

Star Wars - Episódios I, II e III - O Ataque dos Filmes Ruins.

Há muito tempo atrás, numa galáxia distante…

Em meados dos anos oitenta conheci Star Wars ou, como dito na época, Guerra nas Estrelas. Não lembro exatamente em que canal passava (acho que no SBT) e nem quando foi a primeira vez que assisti algum dos filmes, mas lá por 87 ou 88, meu pai alugou um videocassete (sim, alugou) e logo fomos fazer uma carteirinha e pegar alguns filmes em uma locadora da cidade. Em nenhum momento tive dúvidas, quis alugar Star Wars.
Lembre-se, além de eu ser criança, naquela época não existia internet. Ninguém tinha muitas informações sobre filmes. Bem, o caso foi que de alguma maneira eu sabia que eram 3 os filmes da Saga, mas quando procurei na locadora encontrei uma fita com o nome Star Wars IV Uma Nova Esperança. Fui correndo perguntar para o balconista e foi naquele momento em que descobri que a história começava da metade e que algum dia existiriam os filmes que contariam como o império se estabelecia.

Que ansiedade! Daquele momento em diante sonhei com o dia em que veria como e porque o grande cavaleiro jedi Anakin Skywalker se transformou em Darth Vader, o maior vilão de todos os tempos, e como a misteriosa figura do Imperador tomara o poder da galáxia.
Em 1999 veio o primeiro abalo na força. Episódio I – A Ameaça Fantasma era uma bomba. Anakin nos era apresentado como um pirralho cheio de midclorians (o que???). O filme já trazia todos os elementos que marcariam a “nova trilogia”: péssimas atuações, atores sem o menor carisma (como ambos os que viveram Anakin), excesso de CGI, tanto em cenários quanto em personagens (e sejamos honestos, nem hoje o CGI é tão real, imagina no século passado), piadinhas horríveis (principalmente envolvendo droids ou alienígenas – tem até piada de peido neste filme!), diálogos constrangedores e enredo massante, desinteressante e confuso. Sério, alguém entendeu, ou se importou, com o tal do bloqueio que a Federação do Comércio impõe a Naboo? E com a corrida de pod? E com as cenas no senado?
Para não falar que tudo é uma catástrofe, eu digo duas palavras: Darth Maul. O vilão da vez transborda carisma e perigo com seu sabre dublo e seus espinhos na cabeça. Alguém que parecia estar a altura até de fazer frente a Vader, alguém que… morre no fim do filme…
E à partir daí a trilogia usa deste recurso de ter um vilão por filme. Dooku no II (ok e no comecinho do III) e General Grievous no III. Péssima decisão, isso apenas tirava a força (sem trocadilho) dos mesmos. Quando chegamos no Ep III, por exemplo, não conseguia achar que o recém apresentado Grievous era grande coisa. Não parecia ser um grande desafio. Afinal, é preciso grandes vilões para que os heróis sejam grandes. O que seria do Batman do The Dark Knight sem o incrível Coringa interpretado pelo Heath Ledger?
Bem, em 2002 saiu ao Episódio II – O Ataque dos Clones. Alguém consegue não ficar constrangido em TODAS as cenas envolvendo Anakin e Padmé? É o romance mais mal desenvolvido que já vi. O padawan tinha a visto quando criança e era apaixonado por ela desde então e ela… qual o motivo dela querer ficar com ele no final? Ele se impõe sobre ela em todo o filme. Neste filme Anakin não é diferente desses caras que vão em rodeio e agarram mulheres à força. É sem dúvida um dos piores romances que já vi nos cinemas. Forçado, sem química, sem propósito. Que saudade de Han e Leia!
Alias, não são apenas nas cenas com Padmé que o personagem de Anakin é mal desenvolvido, a relação dele com Obi Wan é sempre muito tensa, desde o começo. O padawan já tem dez anos de treino jedi e parece apenas um garoto mimado.
O filme fecha com um bando de jedis burros, que ao invés de cercar seus oponentes preferem ir para o meio de uma arena, onde são alvos fáceis. E aí a cavalaria chega. Os clones encomendados por Zyfo Vias, que nunca ninguém se pergunta como pagou ou porque encomendou os clones. Tudo termina numa cena cheia de ação, luzes, barulho e nenhuma emoção.
A Vingança dos Sith é o melhorzinho dos três. Gosto principalmente das cenas de Palpatine e das lutas finais. Entretanto, todos os problemas dos anteriores aparecem novamente aqui. Se nos filmes anteriores Lucas fez tanta asneira não seria aqui que ele consertaria tudo, certo? Mas o que mais me incomoda, no fim, é que Darth Vader não é nada. Oras, ele salvou a vida de Darth Sidious, ok, mas e depois? Ele matou crianças jedis e o pessoal das federações de comércio e afins. Poxa, qualquer pelotão de stormtroopers faria o mesmo. O primeiro desafio dele foi Obi Wan e ele perdeu. Ou seja, passamos três filmes para descobrir que o grande vilão da ficção científica nada mais é do que um leão de chácara. E não um dos melhores.
Além disso, se buscarmos referências sobre este passado nos filmes antigos, veremos que essa nova trilogia não faz sentido nenhum.
Acho muito triste o desperdício de potencial. Pense em tudo que George Lucas podia ter nos apresentado nestes filme. Poderíamos ter visto tanta coisa… Mercenários em ação, aprendido mais sobre os sith e os jedi, ver a Rebelião se formando… Isso é o que mais me chateia, Lucas tinha o sabre de luz e o queijo na mão. E jogou tudo para o alto, preferindo se focar apenas em efeitos especiais, que passado tão pouco tempo hoje nos parecem simplórios e artificiais. Até mais do que os dos filmes mais antigos!
A primeira trilogia tinha seus defeitos, claro. Mas tinha coração. Possuia personagens pelos quais nos importávamos, situações criativas, humor na medida certa, cenas memoráveis. Os episódio de I a III tem Jar Jar Binks.

Assim como a Disney descartou todo o universo expandido e os chamou de Star Wars Legends, no meu cânone pessoal a “nova trilogia” simplesmente não existe. Espero que a força seja forte em J. J. Abrahams e ele traga no novo filme o Star Wars que estou esperando desde os que vi no videocassete alugado do meu pai.

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