quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Cult of Luna - Vertikal (2013)

Em algum momento da minha vida eu já tinha escutado o Cult of Luna. Não lembro exatamente quando, mas em um período remoto, antes da banda larga ser uma realidade (ao menos para mim), consegui descolar algumas músicas da banda. E, se não estou enganado, escutava tais faixas ainda no meu antigo walkman. Não sei dizer quais músicas eram ou de que álbum saíram, mas desde então associo o nome da banda à música de qualidade. Os anos passaram, eu tive acesso a internet, mas nunca mais voltei a pesquisar o som dos caras. Na verdade, nem ao mesmo me recordo de alguma vez ter lido notícia sobre eles. Praticamente entraram em um limbo para mim. Até esses dias quando me deparei com o novo trabalho, Vertikal, para baixar neste site.
Parece a turma de engenharia da computação da sua faculdade,
 mas é uma banda de metal.

Pronto, baixa o cd aí, rapaz, e a gente continua a conversa. 
Enquanto te espero, aí vai um rápido resumo sobre a banda: ela foi formada na cidade de Umeå, na Suécia, tendo lançado seu primeiro (e homônimo)  disco em 2001. Vertikal é o sexto álbum do septeto e foi baseado no filme expressionista alemão Metropolis, de Fritz Lang.
Baixou? Então coloque seu fone de ouvido, suba e trave sua mesinha, levante o recosto de sua cadeira, afivele o cinto de segurança. Agora prosseguimos o papo.
Já aviso, não dá pra pular faixa nenhuma, o álbum é uma obra completa, pensado pra ser ouvido na sequência, com grandes movimentos, como em uma composição erudita.
Os trabalhos começam com a instrumental The One. Você já assistiu ao filme Tron - O Legado? Pois bem, o filme mesmo é bem mais ou menos, mas sua trilha sonora, composta pelo duo de música eletrônica Daft Punk, é sensacional. The One soa como saída daquele cd. Uma faixa curtinha, só uma introdução mesmo, mas já prendeu minha atenção e me fez ansioso pelo que viria adiante.
E a porrada começa com I: The Weapon. Nesta faixa de abertura (e a melhor do cd, em minha opinião), já se encontram todos os elementos que permeiam toda a obra. Beleza e agressividade andando juntas. É como ver a Charlize Theron suja de barro, com ferimentos sangrando e uma faca na mão. Tá tudo ali, ao mesmo tempo. Linhas suaves e melodiosas escondidas por uma crueza ríspida.
Li por ai que o cd é classificado como Post-Metal. Vou ser sincero, eu não tinha ideia do que era isso. Mas depois caiu a ficha. A banda realmente soa como se o Sigur Roz, banda de post-rock, tocasse com mais agressividade, aumentando a distorção de suas guitarras e com um vocal gutural urrando como louco. 
A faixa seguinte, Vicarious Redemption, é uma epopeia de 18 minutos, sendo mais de 7 apenas em sua etérea introdução. A música passeia entre diversos momentos e há até uma pequena, inesperada e bem-vinda influência de Dubstep em algumas passagens. The Sweep parece uma continuação direta de The One, sendo a música com maior influência eletrônica do álbum.
Na verdade é quase impossível fazer algum destaque. Todo o álbum é atrativo e desafiador. Seja na bateria insana, quebrada e criativa de Synchronicity, no maravilhoso riff principal de In Awe of ou na "balada" Passing Through
Vertikal soa moderno e inovador, ainda que resguarde muitas características de Doom Metal tradicional. É uma evolução natural e inteligente do estilo. Dá até orgulho. Esse é pra enfiar nas fuças de quem diz que metal bom é só aquele produzido nos anos 80.
A bela capa de Vertikal

Álbum: Vertikal
Artista: Cult of Luna
Lançamento: 2013
Gravadora/Distribuidora:   Indie Recordings

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